Ignacio Canongia

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Após o grande terramoto de 1755, as últimas décadas do séc. XVIII viram chegar ao nosso país, pela mão do Marquês de Pombal, vários artesãos destinados a desenvolver a indústria nacional, numa altura em que Lisboa se recuperava ainda do cataclismo. É pois nesse fluxo imigratório que Ignacio Canongia (?-?), mestre artífice fabricante de sedas de origem catalã, chega a Portugal e se instala na villa de Oeiras. Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, é então ainda conde de Oeiras, e a preferência por aquela localidade justifica-se provavelmente porque «o grande estadista quiz fazer da sua villa senhorial um centro fabril […]» (Ernesto Vieira, in Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes [1900], p.197). Provindo da cidade de Manresa, muito próximo de Barcelona, Ignacio Canongia era igualmente músico amador e «clarinettista dotado de certa habilidade» (Vieira, op. cit, idem). Com a morte de D. José I e consequente subida ao trono de D. Maria I, o ministro Marquês de Pombal cai em descrédito e muitas das suas medidas são contrariadas, nomeadamente a preferência atribuída ao desenvolvimento da sua vila senhorial, obrigando então muitos dos que aí se haviam instalado a procurar melhor sorte noutros locais. O catalão, que se havia entretanto casado e tinha já dois filhos, José Avelino e Joaquim Ignacio, muda-se para Lisboa, «naturalmente em busca de melhor fortuna e de um centro onde os filhos podessem receber mais ampla educação» (idem, ibidem). Aos seus filhos, nascidos portanto ainda em Oeiras, ensinou Ignacio Canongia os rudimentos musicais, destinando-os assim a este ofício. José Avelino Canongia, o mais velho, demonstrava raras capacidades para a arte musical, ao passo que Joaquim Ignacio Canongia, apesar de músico competente e «bom clarinettista, não attingiu a perfeição nem gosou a fama» do irmão mais velho (Vieira, op. cit., p.203). Pamela Weston (in More Clarinet Virtuosi of the Past, p.66) considera ter sido Ignacio Canongia (pai) o primeiro solista de clarinete da Orquestra do Teatro S. Carlos, porém, Ernesto Vieira (in Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, p.410) afirma peremptoriamente que foi antes João António Wisse [ou Weisse] (?-1830), alemão vindo para Portugal em 1795 propositadamente para integrar aquela orquestra de ópera, a ocupar pela primeira vez a cadeira de clarinete solista no Teatro S. Carlos.

--Luis Carvalho 00:22, 5 Julho 2006 (WEST)

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